HOME | LIANA | AGENDA | TEXTOS | ÍNDIOS | CONTRIBUIÇÕES | LINKS | FOTOS | CONTATO

RELAÇÕES DOS HUMANOS COM AS TARTARUGAS

a) Os estudos de mitologia comparada - desde os Mayas à China passando pelo Egipto - mostram-nos que em muitas civilizações humanas, as tartarugas são consideradas animais sagrados. Infelizmente, o homem moderno, ao perder a noção do sagrado, divorciou-se do contacto com outras formas de vida, cuja função deixou de reconhecer e cujo efeito benéfico deixou de receber.

A título de exemplo, veja-se que, na China tradicional (e estas crenças persistem nos chineses de hoje em dia) a tartaruga era considerada um animal legendário, tal como a fénix e o dragão, como um mediado entre o mundo dos mitos, dos sonhos e da realidade, sendo as suas quatro patas equiparadas aos quatro pontos cardinais.

Para os chineses as tartarugas, parecem participar da natureza do Universo pela sua longevidade, pela sua aptidão para servir de instrumentos de adivinhação e pela própria forma do seu corpo. Pois, grosso modo, a sua carapaça dorsal é redonda como o céu e a sua carapaça ventral é quadrada como a Terra. As suas quatro patas desempenham pois o papel de pilares entre o céu e a Terra. Talvez devido ao seu simbolismo cósmico, à sua forma de rocha, à dureza da sua carapaça, pela sua natureza anfíbia, pela sábia lentidão do seu caminhar, as tartarugas são consideradas como estabilizadores.

Muitas estelas e inscrições chinesas são postas em cima de peanhas em forma de tartaruga para significarem a sua estabilidade e perenidade. E diz-se também que as ilhas flutuantes onde vivem os imortais foram subjugadas pelas tartarugas. Além disso, para eles, a divina Tartaruga Kwei passou dezoito mil anos a formar o Universo e depois criou uma linha de tartarugas de longa vida para ajudarem a Humanidade e carregarem com os fardos do mundo nos seus dorsos.

Diz também a mitologia chinesa que quando um dos quatro pilares do Universo caíu, uma Tartaruga substitui-se a esse pilar caído para salvar o mundo. Outras versões dizem que a Tartaruga se tornou o Universo, que a sua forma é a mais sublime da Natureza, pois pelo que a sua carapaça é a natureza espiritual da abóbada celeste e o seu interior tem as estrelas e também as águas sobre as quais a terra flui. Toda a existência está pois contida numa Tartaruga.

 

Para os Hindus a tartaruga foi o segundo avatar (encarnação da divindade) de Vishnu, sendo considerada também símbolo da invulnerabilidade pois se recolhe em si mesma ganhando assim uma força oculta que lhe permite defender-se de qualquer ataque externo. Para eles, o mundo está pousado em cima de uma grande Tartaruga.

Vishnu tornou-se uma tartaruga gigante, imóvel no Espaço, mantendo em cima do seu dorso o veículo cósmico no qual os deuses misturaram os elementos necessários à criação. A esta Kurma ou encarnação Tartaruga de Vishnu contrapoêm-se outras versões cosmogónicas do Hinduismo como o Sattapatha Brahmana onde foi primeiro Brama e não Vishnu que assumiu a forma de uma Tartaruga e que criou geração, pelo que todas as criaturas são descendentes de Kashyapa.

Assim, para várias civilizações, a tartaruga é pois considerada um animal cosmoforo, que leva a Terra às suas costas.

Se os chineses descobriram o I Ching, o seu método milenário de advinhação, na carapaça de uma tartaruga, e usavam tições ou brasas ardentes para provocar fracturas nessa carapaça, para ver que hexagramas se formavam, os Mayas também as veneravam em relação com o Tempo. Observando que as carapaças da maioria destes quelónios têm treze placas ou molduras centrais, à roda das quais se vêem vinte e oito pequenas molduras, que formam os bordos, viam nelas a confirmação do seu complicado mas exacto calendário venusiano, baseado na existência de treze luas ou meses, cada um com vinte e oito dias. Para eles, como para certas tribos da América do Norte, a tartaruga era o animal primordial associado à criação do mundo.

Para os Mayas a tartaruga tinha aparecido quando a primeira chuva cobrira o primeiro chão acabado de desbravar e por isso ser identificado com o poder mágico da Natureza de dar vida. Era para além disso uma das quatro criaturas que sustinham o céu. Para os Wyandot, quando a terra caiu para dentro de água, a Tartaruga convocou todas as criaturas do mar para acudir a esta emergência, então um sapo cuspiu e foi assim que uma ilha nasceu na carapaça da Tartaruga, reformando-se o mundo. Para os Huron, que têm um mito semelhante, a Tartaruga é o chefe de todos os animais, que capturou um raio e com ele fez duas bolas de luz que lançou para o céu.

b) Dizem as tartarugas mais anciãs que, como raça, são muito mais antigas do que se pensa, que as cronologias humanas estão erradas. Segundo as suas sábias, a tartaruga foi o primeiro ser que surgiu neste planeta. Dizem também que há tartarugas noutras partes do universo, ainda que algumas habitem em dimensões não detectáveis pelos olhos físicos Em apoio dessa reivindicação, aduzem um texto sagrado hindu, o Brahmavairanta Purana, no qual Vishnu diz a Indra, rei dos deuses: "conheci a Kashyapa, tem pai, o velho Homem Tartaruga, senhor procriador de todas as criaturas".

Escoradas nestes textos e nas suas tradições, dizem que foram as tartarugas que trouxeram a civilização ao homem, que lhe ensinaram a arte do Tempo, a qual ele depois esqueceu, que lhe ensinaram a nadar, bem como o conhecimento da geografia e da astronomia.

c) Abundam na Geografia e na História os exemplos de cooperação entre humanos e tartarugas, uns provados, outros especulativos.

Em Uxmal, no Yucatan, pode-se ver uma "casa das tartarugas" assim chamada pelas muitas tartarugas esculpidas que constituem os 4 frisos da casa. Fala-se também de uma Ordem das Tartarugas, da qual pouco se sabe, relativamente ao que é conhecido sobre as Ordens Jaguar ou Águia, tendo-se contudo descoberto a imagem de um homem que pertencia a essa Ordem e que está a dançar com uma carapaça às costas.

Recentemente, foi noticiado que dez mil tartarugas carnívoras são anualmente lançadas ao Ganges para comer os cadáveres flutuantes. Para as autoridades indianas trata-se de uma medida sanitária. Para as tartarugas, mais conscientes da sua função, ao transformarem a carne humana na sua própria, elas estão a assegurar que as almas desses piedosos defuntos reencarnem em tartarugas, a maior benção possível para os humanos neste fim de ciclo.

São conhecidos os rituais dos indígenas das ilhas Andaman, extremamente primitivos, que ainda mantêm um contacto mimético e simpático com os animais. Esses indígenas, pintam os seus corpos com as cores e formas de certas tartarugas ou carangueijos. Depois mergulham e cada um encontra exactamente o animal com que sonhara e cuja pintura realizara. Além disso, são guiados pelas tartarugas na sua busca de ostras que possam conter pérolas.

Segundo testemunhas oculares, no desastre do navio "Titanic" uma grande tartaruga recolheu uma criança que intentou levou para terra firme, desconhecendo-se o seu paradeiro, mas especulando-se que, através do Triângulo das Bermudas, a terá levado para os recintos do templo central.

http://www.portugalnet.pt/pnet/portugalnet/magicalgardens/cosmovisao/estudos/estudos.html


HOME | LIANA | AGENDA | TEXTOS | ÍNDIOS | CONTRIBUIÇÕES | LINKS | FOTOS | LOCALIZAÇÃO | CONTATO

2004 © Luiza Estrella